Fast forward sem reward
É uma pena estar sem tempo e tranqüilidade pra continuar a escrever meus últimos projetos. E por falar em tempo passando rápido, aí vai mais coisa antiga.
Fast forward sem reward
Começou assim:
-My name is Lucifer. Please, take my hand!
-Ei! Isso é Black Sabbath, não?
-Exatamente. - disse o homem com a mão estendida. Ele tinha dois piercings subcutâneos simulando um par de chifres e estava queimado de praia. Sua pele era uniformemente vermelha, tinha bigode e cavanhaque pontiagudo. Trajava terno negro riscado. Definitivamente estranho. Ridículo, talvez.
Eu apertei a mão daquele sujeito e perguntei:
-Qual é o seu nome?
-Lúcifer, ora.
Eu ri sem vontade. Estava mal humorado e entediado; insatisfeito com a vida mesmo. Mas mesmo assim brinquei de volta:
-Ok. Então, Sr. Lúcifer, me dê um controle remoto pra minha vida. Só precisa de três teclas: "play", "fast forward" e "off". E eu te dou a minha alma em troca. Minha prostituída, roubada, violentada e vendida alma.
Achei que com essas palavras pesadas ele me deixaria, mas não entendi porque ele ficou tão entusiasmado com elas.
-Vou patentear a sua idéia! - disse. E tirou um controle remoto do bolso interno do paletó. Eu ri sem vontade de novo. Era o celular, claro. Mas qual não foi o meu espanto ao ver somente as três mencionadas teclas "play", "fast forward" e "off", no controle que ele passou às minhas mãos? Gelei! Fora isso, tinha um pequeno relógio digital acoplado.
-Negócio fechado? - ele indagou.
-Fechado e sem volta ou devolução! - consenti, apertando, quase instantaneamente, o "fast forward" para passar logo por cima daquela noite insuportável. E o apertei várias vezes desde então.
Virei adulto, amadureci, mas não me casei com ela, não ascendi na empresa (fui até demitido), o fluminense indo e voltando da terceira divisão, minha mãe morreu, ah... Tanta coisa... Fui vendendo tudo que herdei. É verdade que sempre me virei e sobrevivi. Sempre indignamente. Fiquei até bem numa época. Vendia persianas, negócio próprio. Montei uma firma e estava sempre de saco cheio. No dia em que pedi concordata gritei pelo diabo. Queria trocar o meu controle por outro com apenas uma tecla: "stand by". Ele não apareceu, claro. Devia saber que sem "play" não há "off" e sem "off" minha alma não seria dele.
O fato é que isso aconteceu há apenas 6 horas atrás, segundo o relógio digital do controle e ainda não achei nada muito divertido pra fazer. Quer dizer, eu procurava diversão, depois eu procurei o que procurar, depois, felicidade, depois, estabilidade, e agora já cheguei aos 77 anos e... Pfff. E pensar que 6 horas atrás eu tinha apenas 17. Foi tudo muito rápido. Uma velocidade suicida. Não preciso ver os créditos finais, sem epitáfio. OFF.

1 Comments:
é ai vei! tentei postar no seu flog cara, mas ta cheio!
me add la no orkut depois!
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