Sexo e Morte
Sex And Death
Here we are still fighting
fighting for our lives!
Danger in the trenches
but we still survive!
We know who we are!
We know who we are!
We remember every move
(We still bear the scars!)
Don't look for maturity-
don't you even dare!
We are our own security,
and we don't even care!
We know what we do!
We know what we do!
We do what we must
(and we admire our attitude!)
Be damned, if you can't handle it,
(We) hope you break your neck-
Sex and Death!
Show 'em your guitar!
[guitar solo]
Here we are in trouble,
comin' every day
Slaughter in the alley?
(that would) make our bleedin' day!
We know all the rules!
We know all the rules!
We know more than you would like-
(cuz) we ain't in your school!
We are tired of you now-
we are sick and tired!
We are tired of hearing you
say we should be quiet!
You ain't worth our time!
You ain't worth our time!
You ain't worth a nickel, babe-
you ain't worth a dime!
We ain't gonna give it up
as long as we got breath:
Sex and Death!!
The answer to life's mystery
is simple and direct:
Sex and Death!
Runnin' down the highway
and we ain't tired yet:
Sex and Death!
Sex and Death!!!
"Acredito que o erotismo é a aprovação da vida até na morte. A sexualidade implica na morte, não somente no sentido de que os recém-chegados prolongam e substituem os desaparecidos, mas porque ela faz entrever a vida do ser que se reproduz. Reproduzir-se é desaparecer, e os seres assexuados mais simples se sutilizam ao se reproduzirem. Eles não morrem, se pela morte se entende a passagem da vida à decomposição, mas aquele que existia, ao se reproduzir, deixa de ser aquele que era (pois se torna duplo). A morte individual é apenas um aspecto do excesso proliferador do ser. A reprodução sexuada é em si mesma apenas um aspecto, o mais complicado, da imortalidade da vida garantida na reprodução assexuada. Da imortalidade, mas ao mesmo tempo da morte individual. Animal algum pode aceder à reprodução sexuada sem se acabar no movimento cuja forma acabada é a morte. De qualquer maneira, o fundamento da efusão sexual é a negação do isolamento do eu, que só conhece o desfalecimento ao se exceder, ao se ultrapassar no abraço em que a solidão do ser se perde. Quer se trate do erotismo puro (de amor-paixão) ou de sensualidade de corpos, a intensidade é maior na medida em que a destruição, a morte do ser transparecem. O que se chama de vício decorre desta profunda implicação da morte. E o tormento do amor desencarnado é tanto mais simbólico da verdade última do amor quanto a morte daqueles que ele uniu os aproxima e os enternece. Nenhum amor entre seres mortais..."
"O erotismo é a aprovação da vida até na morte".
Georges Bataille. A literatura e o mal.
E, depois de Lemmy e Bataille, é comigo...
Ele a viu passando por ali e, sem saber quem era, sem nenhum porquê, agarrou-a com apenas umas das mãos e constringiu-a. Ela desmantelou-se escapando por entre todas as frestas daqueles dedos enormes e caiu, sem forma, sem vida, sem sentido, nada, nihil... Nem o impacto sentiu.
Viver por viver? Morrer por morrer? Matar por matar?
Dar a luz por dar a luz?...
Quem é mais bárbaro? Mais inverossímil? Quem?!
Um cão? Um suicida sem um desespero? Um assassino sem uma paixão?
Deus?...
DIÁLOGOS A DOIS pt. I - Pelo Bem da Humanidade
--Vamos, Carlos! - diz Ana - Nós precisamos fazer amor.
--Amor? Mas eu te amo, ora... Já está feito!
--Mas precisamos fazer amor carnal.
--Como?! - surpreende-se Carlos. Era a primeira vez que via a palavra amor relacionada à palavra carne.
--Precisamos de contato físico. Tire a sua roupa e eu lhe mostro.
--Tirar a minha roupa? Não entendo...
--Tire que eu lhe explico. - diz Ana deixando sua saia cair aos seus pés.
Carlos fica incomodado com a semi-nudez de Ana. Cinco anos casados e não se lembrava direito de como ela era. Vira a esposa duas ou três vezes assim na vida.
A última peça e Ana está completamente nua. Carlos não consegue esconder um certo ar de nojo, ponta de um profundo asco que controlava dentro de seu ser. Ana não se importa. Vai ajudar o jovem e enrolado marido a despir-se.
--Vamos! Pense que vai tomar um banho, como sempre, e tira logo essa roupa.
--Pronto. Estamos nus. - diz ele impaciente, nervoso e tentando evitar olhar a vulva da mulher, que é apenas uma mancha negra e imprecisa no flanco da sua visão.
--Agora vou te mostrar como foder.
--Foder?!
--É! Foder, trepar, fazer amor, sexo... Tem vários nomes e expressões.
--Nossa... Pra que dão tanto nome há uma coisa que não presta?
--Você não sabe de nada! É um assunto e uma arte complexa, com muitas variações, categorias, especificações, subdivisões, técnicas, e por aí vai. - diz Ana dando à sua cara fria uma expressão de fascínio.
--E vocês fodem nesses debates, palestras, workshops, mesas-redondas, sei lá?
--Às vezes.
--E é bom?
--Sim. Psicologicamente é fantástico. Você se sente útil, fazendo um bem direto à sua espécie, entende? Mesmo que ainda seja só um treino. Com prática, dizem que dá até a impressão de um prazer quase físico. Com muita prática se pode sentir até prazer físico, que é o oposto da dor. Alguns iniciados chegam a ter orgasmos. Dizem que é um prazer físico, psicológico e espiritual indescritível.
--Sei... Tipo cães cruzando?
--Não! Muito melhor! Não somos cachorros. Mas agora vamos concretizar logo isso. Vamos foder e procriar. Você vai adorar.
--Não sei não...
--Vamos lá. Tá vendo o seu pênis?
--Sim.
--Então... Tá vendo a minha boceta?
--Boceta?
--Sim. Isso aqui ó. Vamos! Olhe pra cá!
--Olhei.
--Olha direito!
--Tá! Já vi. Pronto! Olhei três vezes, até...
--Pra começar, eu vou botar o seu pênis dentro da minha boca e vou chupá-lo...
--O quê?!?!?!?! Mas nem que o mundo acabe agora!
--MAS SE NÃO ACABA O MUNDO, ACABA A HUMANIDADE!!! Precisamos procriar... - controla-se Ana para não assustar o marido. O doutor a orientara nesse sentido. Sempre calma. Muita calma!
--E daí? Todo mundo morre. Um dia tem que acabar a humanidade, ora! Não fez segundo grau?!
--Mas não precisamos deixar isso acontecer. Basta fodermos.
--Ah não! Você entra pra essas seitas malucas aí e vem me enfiar no meio das suas loucuras. Você sabe que eu não sou nada idealista. Muito ônus pra pouco bônus. E dizem que foder é extremamente cansativo.
--Meu amor! Teremos um filho! O nosso filho! E ele será lindo! Parecido comigo e com você. Afinal, você só nasceu graças ao altruísmo de um casal. E se você não existisse?
--Ué? Se eu não existisse não existia. Que sofrimento ou prazer pode sentir o nada? E eu fui comprado. Não parido, ejaculado, esporrado, sei lá...
--Então! Não é ruim não existir?
Carlos olha a mulher com espanto e uma certa pena. Coitada. Se sente só e desocupada. Inútil, sem perspectiva, poucos amigos... Mas que terapia ocupacional maluca ela tinha que escolher!
--Então?! É ruim ou não é?
--Como vou saber, Ana?! - impacienta-se - Que pergunta! Eu nunca inexisti pra saber disso.
--Mas existir não é bom?
--Nem sempre.
--Por que não se mata então, seu CRETINO?! SE MATA SEU MERDA EGOÍSTA! FODA-SE A HUMANIDADE!!! FODA-SE VOCÊ!!!
--Acho meio difícil alguém da humanidade se foder... Só o pessoal dessa sua seita maluca mesmo.
--Olha... Vamos tentar, hem? - diz em tom meigo e olhar triste, mudando bruscamente de personalidade, lembrando-se dos conselhos do doutor. Isso é até persuasivo, mas de uma outra forma que Ana não pretende. Essas mudanças bruscas de personalidade assustam Carlos e lhe deixam com medo de contrariá-la.
--Está bem... - consente frustrado e coagido. - Você baba no meu pinto e?...
--E faço uma massagem, especial, até ele endurecer e ficar grande.
--Grande?!!!
--Sim! Enooorme! Se bem que varia...
--Não! Só faltava essa! Vai me aleijar?
--Não querido! Ele volta ao normal depois. Para os machos de antigamente quanto maior o pênis maior era o status.
--Pra você ver como o homem que se pensava civilizado ainda era um bosquímano... Mas e se meu pinto não voltar a ser pequeno?! Eu não quero ficar carregando peso à toa! Aliás! O que eu estou dizendo?! Duvido que ele fique grande.
--Ele fica grande e volta a ficar minúsculo. Eu te garanto.
--Sim... Tá bem... Vamos logo com isso. E depois?
--Depois você vai enfiá-lo na minha boceta. Aqui ó. Aqui, Carlinhos!... Olha pra cá! Olha, seu porra!
--Sim. Eu lembro onde é. Mas não basta fazer crescer, endurecer, babar no meu pinto... VOCÊ AINDA QUER METÊ-LO POR ONDE VOCÊ MIJA?!?!?!
--Calma, amor...
--Que doentio! Que seita de fanáticos doentios essa! Não vejo ética nessas perversões! Quer um filho?! Compre um e pronto! Isso é desculpa desse tal doutor aí, pra extravasar seus instintos subumanos e pervertidos! E vocês, trouxas, se sujeitam a isso! Porra! Que porcariada, Ana! Tem dó! E outra coisa... Criança é um pé no saco. Por isso ninguém mais quer criá-las. Fora meu pinto crescer, depois o que vai crescer é a sua barriga! E, pelo que dizem, fica gigantesca por vários meses!
--Como você é tosco!
--Irrrrrgsh!!!!!! - enoja-se Carlos tapando os olhos.
--O que foi?!?!
--Sangue!
--Onde?
--Na boceta!
--Ah! Eu estou fértil! É isso, seu troglodita.
--E o que vai me pedir, agora? Que adube sua boceta fértil com meu esterco, plante batatas nela e regue-as com urina?
--Não. Que me penetre! Que ejacule! Que plante um filho em mim!
--Mijo, sangue, baba... Olha... Sinceramente, a humanidade que se foda. Quem tiver saco, que compre filhos e os crie. Se eu posso inexistir, por que a humanidade não pode também?
--Por que nossa espécie sumiria pra sempre!
--E eu não vou sumir pra sempre? Você não vai sumir também? A humanidade não é nada mais do que pessoas como eu e você. Se some um, ou dois, ou mil, ou todos, dá na mesma! E se você morresse com um tiro na cabeça ou com um meteoro que se chocou contra a Terra e matou todo mundo? Vai ter alguma diferença depois pra você ou pra alguém que morreu de tiro, câncer ou meteoro?
--Mas a humanidade...
--Mas a humanidade! Mas a humanidade! - remenda-a Carlos. - Ora! Só sabe falar isso sem entender o porquê?
--Está bem... Hoje passa... Mas eu vou levar as suas colocações ao doutor. Sou nova lá e não sei responder a tudo ainda. Mas se ele me esclarecer tim-tim por tim-tim, você vai ter que me fuder nem que eu tenha que te estuprar!
--Estuprar?! Que palavra bizarra. O que é isso?
--É um crime. Quando uma pessoa força a outra a fazer sexo.
--Então você estava me estuprando?
--Não! Pra eu te estuprar, eu teria que te agarrar a força e fazer sexo com você, te subjugando com a minha força física.
--Que monstruosidade! Como pode alguém se desesperar tanto por isso?
--Pra você ver como gostávamos de sexo. Perdemos nossos instintos primais. E isso é muito negativo.
--Ok, ok... Mas vista-se por favor. - diz Carlos pondo suas roupas antes que a sua esposa mudasse de idéia.
--Você devia estudar as antigas civilizações modernas. Os homens pagavam as mulheres para fazer isso, tá?! E homens e mulheres trepavam tanto que perdiam a conta. E quase nunca faziam por procriação! Era por prazer mesmo! Faziam isso até em grupo! E homens faziam com homens e mulheres com mulheres...
--Homem com homem não deve ser tão nojento. Como era? Lutavam espada? Hehehehe...
--Não. Um enfiava o pênis no cu do outro e ejaculava lá dentro. Fora outras coisas...
--O que é cu?! Melhor: nem me responda!
--É o ânus.
--Argh!
--Hehehe... Falarei com o doutor e veremos! Vá se preparando!
E por hoje chega de falar sobre sexo e morte.

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